Deus está presente ou não?

5 – O individualismo mata a sociedade (“Ensemismados”)

 

Uma das realidades que é mais visível a cada dia, é a transformação de uma cultura da fraternidade, de doação, da ajuda, … porém parece que estamos vivendo do avesso, pois cada vez mais impera uma realidade individualista, cada um cuida dos seus problemas (eu chamo esta realidade de pessoas “ensemismadas” – que só pensam em si, e em seus problemas).

É verdade que quando acontece alguma catástrofe em algum lugar, rapidamente vemos uma movimentação de quase toda a população em querer ajudar. Mas… logo que o sentimento de abalo passa, a solidariedade, a fraternidade parece que vai embora ou aos poucos vai desaparecendo de forma visível daquele acontecimento que provocou grande danos na vida de várias pessoas. Um exemplo que me vem à cabeça agora foi a catástrofe de Mariana em Minas Gerais – que teve uma comoção praticamente mundial (com toda a destruição ocorrida, com tantas mortes, com tantos danos à natureza e à vida das pessoas. Futuramente, ainda muitas pessoas sofrerão por consequência deste acontecimento. Porém hoje vemos que o sentimento do impacto do acontecimento passou, e já é visível que muitas pessoas que vivem ali já estão esquecidas, e é de se constatar que parece que a solidariedade já está desaparecendo daquela situação.

Por que citei este exemplo? Porque cada vez estamos vivendo uma realidade de “ensemismado” fechados em si, e cada um pensando  em si e nos seus problemas, ou posso até ajudar um pouquinho…, mas…

E é aqui que encontrei um trecho da Sagrada Escritura que coloca claramente esta situação que já desde os primórdios da humanidade o homem tem esta tendência de pensar somente no seu meio e nas suas coisas ou realidades.

Na  carta de São Paulo aos Filipenses 2,19-22 Paulo afirma a comunidade que ele percebe que muitos irmãos da comunidade pensam e se preocupam apenas consigo mesmo, e que não aprenderam que Cristo trouxe uma nova Vida, um novo Espírito que será uma nova forma de viver. Cristo em todos os momentos pensou nos que eram seus, em nós, nos pecadores, nos excluídos da comunidade, etc., ao ponto de entregar toda a sua vida por amor a toda a humanidade, sem se esquecer de ninguém, muito pelo contrário, todos os que o abandonaram no momento da cruz, depois da sua ressurreição Ele mesmo foi em busca de um por um para anunciar a Vida e o amor que transforma o medo, o egoísmo, o pensar somente em si mesmo na vida de entrega e doação.

Por isto que, romper com esta realidade do individualismo é instaurar uma vivência que Cristo mesmo inaugurou e nos deu para vivermos o que significa o céu, e viver o verdadeiro sentido de comunidade (uma vivência compartilhada). Diz no livro do Eclesiastes 4,10 “Se um cair, o outro o ajuda a levantar-se. Mas quem cair sem ter quem o ajude está em sérios apuros”.

A exemplo da carta aos Filipenses 2,19-23 aparece um irmão da comunidade que aprendeu a não viver pensando em si mesmo, mas aprendeu a pensar na comunidade e naqueles que se aproximavam da comunidade, este seguir de Cristo se chamava Timóteo. Ele aprendeu com Paulo a experiência de ajudar ao próximo, pensar no outro , ajudar aos mais necessitados e estar ajudando o próprio Cristo, pois foi isto que Paulo escutou de Cristo quando Paulo ainda era perseguidor dos cristãos: “Saulo, Saulo… porque me persegues?” Paulo perseguia os cristãos e entendeu que Cristo se identifica com cada cristão, com cada pessoa, seja ela como for.

Diante do chamado de Cristo de vivermos numa nova cultura do amor, da doação, da solidariedade, da Fraternidade…. “Não há desculpas aceitáveis para deixar de servir ao Senhor e a Nova realidade de Vida que Ele inaugurou com a sua ressurreição (que venceu o individualismo e nos abriu a oportunidade de vivermos como verdadeiros irmãos, viver em comunidade).

Por isto temos que ter muito cuidado: Vamos para a Igreja para aprendermos a viver a Palavra de Deus, e não vamos para Igreja para cumprir um preceito ou fazer parte de uma casta ou de um grupinho de escolhidos e fanáticos. Cumprir um preceito não serve para nada, a não ser para preparar pessoas moralistas, que sabem dar bons conselhos, mas não tem o que é o principal que Cristo nos veio trazer: Amor, doar-se ao outro e acima de tudo, amar os irmãos como são, e deste espírito novo é que surge a nova forma de comunidade que Cristo inaugurou.

Que Deus nos ajude a reverter a cultura individualista, numa cultura da doação, do amor  e acima de tudo a cultura da Fraternidade.

 

#AlessanderCapalbo

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