Vivemos ou estamos sobrevivendo?

Estas perguntas deveríamos fazer quase sempre no nosso dia a dia: Porque ou para que vivo ou simplesmente existo?

Tem de ir bem na prova, tem de passar de ano, tem de entrar numa faculdade boa, tem de fazer um curso renomado, arranjar um bom emprego, ter um bom currículo, ganhar mais que os seus amigos.

Eu, pessoalmente, nunca entendi essa pressão toda em arranjar um bom emprego aos 20 e tantos anos de idade.

Somos condicionados a pensar que sucesso é ter um cargo alto, numa empresa reconhecida, com vários subordinados.
E crescemos acreditando fielmente nisso.

Se você está ganhando dinheiro é isso que importa? Não.

A vida não deveria ser só estudar, trabalhar, ganhar dinheiro e morrer.
A gente não nasceu nesse mundo maravilhoso cheio de lugar diferente, pessoas singulares, comidas exóticas para viver num escritório, todos os dias das 9h às 18h ou até mesmo uma grande parcela da população desempregada, não tendo o mínimo para viver.

Eu, por exemplo, me considero uma pessoa que não sou bem-sucedida, porque escolhi recomeçar a minha vida do zera aos 37 anos e constituir família, deixando o ministério sacerdotal.
Eu já estive ajudando como sacerdote em L’Aquila (cidade onde teve um terremoto na Itália e praticamente acabou com todo a cidade), já ministrei aulas de ética, e teologia para seminaristas, já estive em vários países, e pude presenciar e viver em diversas culturas.
Isso não conta como experiência?
Isso não deveria ser perguntado em entrevistas de emprego?

Vocês não são os currículos de vocês.
Vocês não são as empresas multinacionais que vocês trabalham.
Vocês não são o salário que vocês ganham.
Vocês são o que vocês vivem.
As pessoas que vocês conhecem.
Os livros que vocês já leram.
Os lugares que vocês vão.
As experiências que vocês têm.

Gente!!!Algumas pessoas, vão para outros países, trabalham como garçonetes, e conhecem o mundo. Tiveram coragem de se aventurar, de serem felizes.
Vai fazer trabalho voluntário.
Vai escrever um livro, mesmo que não seja publicado.
Lute por uma causa que você acredite, mesmo com o mundo inteiro te achando louco por isso (nessa eu sou profissional de carteirinha… muitos pensam que sou um louco por deixar a segurança por uma vida que não sei sinceramente o que virá pela frente).

Louco é quem, aos 20 e tantos anos, está preso no trânsito indo trabalhar. Vendo as mesmas pessoas. De frente para o mesmo computador e sem nenhuma perspectiva de vida, liberdade e acima de tudo de felicidade.

Essa busca toda por sucesso profissional é para que?
Você realmente precisa de todo esse dinheiro que você está ganhando, ou está buscando?
O que vai te acrescentar na vida uns zeros a mais na conta do banco?

A gente não precisa de todos esses excessos que a gente acha que precisa para ser feliz.

Chegamos aos 60 anos.
Ricos.
Morando não sei aonde… num local ideal.
Com uma casa própria,
Com faxineira todos os dias para lavar nossa louça e estender nossas camas.
Com o carro do ano.
Com filhos nas aulas de inglês, alemão e espanhol.
Achando que todo o nosso propósito na vida foi alcançado.

Mas chegamos infelizes?

Realização para mim não é dinheiro.
Realização são histórias para contar.
Realização é sentar com a minha família e amigos e poder diante dos problemas dar boas risadas das lutas e batalhas do dia a dia, e ainda por cima ter a certeza que nunca chegarei naquele patamar que sempre me falaram que era o lugar da felicidade (ter dinheiro e não ter preocupações com o futuro)

Feliz é correr atrás do que faz o coração de vocês vibrar.
Somos jovens, e ser eternamente jovens, é importante, para não ter pressa de se preocupar com aposentadoria.
Caixão não tem gaveta, o que vocês ganharem em vida não vai ser levado depois que vocês morrerem.

O que se leva dessa vida é a vida que se leva.

 

#AlessanderCapalbo

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