Pega o que restou de você e continue caminhando

De fato, eu tenho uma biografia de altos e baixos. Vivi situações que eu costumo chamar de classicamente difíceis. Foi dureza ter que escolher entre comer ou ter o dinheiro da passagem para escola. Presenciar cenas de violência familiar. Viver o luto da perda de pessoas queridas. Mas sei que diversas pessoas vivem a ansiedade e não tiveram estes episódios no caminho. Seriam elas mais fracas do que eu? Penso, com muita convicção, que não.

Aquela história de “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional” me parece estranha. Aparentemente esta frase me diz que essas inúmeras vezes em que senti meu peito arder, uma intensa ameaça vinda do nada, é fruto de uma seleção minha. Estavam lá várias possibilidades e eu escolhi sofrer. Pois essa afirmativa sendo verdadeira, surge uma questão; como melhorar nossa capacidade de escolha?

Cá entre nós, eu estou muito interessado em escolher ser mais feliz.

Independentemente de sua história, você é frágil ser humano procurando sossego. Enquanto eu lutava para ter o que comer, o seu problema poderia ter sido um coração partido, uma não-aceitação do nariz, falta de amigos no recreio. Que seja, tudo é problema. Não existe balança. Nossas dores só são vividas por nós mesmos. Até podemos ser solidários com a história do outro, mas é só o outro que sabe exatamente qual o cheiro do ar que respira.

E se você tem sensações semelhantes, saiba lendo esta pequena meditação que não é sua a única cabeça acelerada no planeta. Procure ajuda como se sua sensação fosse uma dor de dente nas ideias. Só você sente e sabe a razão dela te impedir de sorrir. Brega, né? É assim mesmo. Os caminhos podem ser os mais os mais diferentes possíveis, nem tão originais, mas levam a algum lugar, ou melhor dizendo: a um único lugar (o encontro com o divino, com o Deus do amor e misericórdia).
Pega aí o que você puder de si e continuemos a nossa caminhada… pois no final chegaremos. O importante não é chegar, mais fazer parte da beleza de estar vivo e VIVER.

 

Alessander Capalbo
Licenciado em Filosofia
Graduado em Teologia
Mestrando em Psicanálise Clínica
Graduando em Psicologia – UDF

 

Ps. Uma das fotos que mais gosto da Itália. (Loreto onde está uma parte da Casa da Família de Nazaré).

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