ESQUIZOFRENIA

A esquizofrenia é uma das doenças psiquiátricas mais graves e desafiadoras, definida como uma síndrome clínica complexa que compreende manifestações psicopatológicas variadas de pensamento, percepção, emoção, movimento e comportamento. Trata-se de uma doença bastante prevalente dentre as condições psiquiátricas. Atualmente, os pacientes com esquizofrenia são maioria nos leitos de hospitais psiquiátricos. No Brasil aparecem cerca de 75.000 novos casos desse transtorno por ano, o que representa 50 casos para cada 100.000 habitantes. É comum, ser considerada pejorativa, a denominação “esquizofrênica” para o indivíduo portador de esquizofrenia, uma vez que é rotulado perante toda a sociedade. Ao serem rotulados, esquece-se que, em cada pessoa, a doença repercute de uma forma diferente.

Um artigo publicado pelo Hospital Abert Eisntein intitulado ‘Esquizofrenia: um dos Mistérios da Mente’, cita estudos publicados na revista Nature, que acompanhou cerca de 10 mil casos da doença, e que chegaram a um grande número de variações genéticas, que respondem por pelo menos um terço do risco de desenvolver a esquizofrenia. Pesquisadores estimam que 1% da população mundial, cerca de 100 milhões de pessoas, sofram atualmente com a doença. No Brasil, a doença afeta mais de 2,5 milhões de pessoas, que apresentam algum transtorno mental grave ligado à esquizofrenia e que, em algum momento, podem precisar de um hospital psiquiátrico.

A esquizofrenia apresenta várias manifestações, afetando diversas áreas do funcionamento psíquico.  Os principais sintomas são: a) DELÍRIOS: são idéias falsas, das quais o paciente tem convicção absoluta. Por exemplo, ele se acha perseguido ou observado por câmeras escondidas, acredita que os vizinhos ou as pessoas que passam na rua querem lhe fazer mal; b) ALUCINAÇÕES: são percepções falsas dos órgãos dos sentidos. As alucinações mais comuns na esquizofrenia podendo ser, em geral, auditivas, em forma de vozes. O paciente ouve vozes que falam sobre ele, ou que acompanham suas atividades com comentários. Muitas vezes essas vozes dão ordens de como agir em determinada circunstancia. Outras formas de alucinação, como visuais, táteis ou olfativas podem ocorrer também na esquizofrenia; c) ALTERAÇÕES DO PENSAMENTO: as ideias podem se tornar confusas, desorganizadas ou desconexas, tornando o discurso do paciente difícil de compreender. Muitas vezes o paciente tem a convicção de que seus pensamentos podem ser lidos por outras pessoas, ou que pensamentos são roubados de sua mente ou inseridos nela; d) ALTERAÇÕES DA AFETIVIDADE: muitos pacientes têm uma perda da capacidade de reagir emocionalmente às circunstancias, ficando indiferente e sem expressão afetiva. Outras vezes o paciente apresenta reações afetivas que são incongruentes, inadequadas em relação ao contexto em que se encontra. Torna-se pueril e se comporta de modo excêntrico ou indiferente ao ambiente que o cerca; e) DIMINUIÇÃO DA MOTIVAÇÃO: o paciente perde a vontade, fica desanimado e apático, não sendo mais capaz de enfrentar as tarefas do dia a dia. Quase não conversa, fica isolado e retraído socialmente.  Outros sintomas são característicos de um quadro esquizofrênico, como dificuldade de concentração, alterações da motricidade, desconfiança excessiva e indiferença. Dependendo da maneira como os sintomas se agrupam, é possível caracterizar os diferentes subtipos da doença. A esquizofrenia evolui geralmente em episódios agudos onde aparecem os vários sintomas acima descritos, principalmente delírios e alucinações, intercalados por períodos de remissão, com poucos sintomas manifestos.

Ainda não há estudos precisos sobre as causas da esquizofrenia. A hereditariedade pode ter influência, sabe-se que parentes de primeiro grau de um esquizofrênico têm chance maior de desenvolver a doença do que as pessoas em geral, no entanto, não se sabe como ocorre esta transmissão. Outros fatores também são preponderantes. Fatores ambientais (p. ex., complicações da gravidez e do parto, infecções, entre outros) que possam alterar o desenvolvimento do sistema nervoso no período de gestação parecem ter importância na doença. O diagnóstico da doença não é fácil, é feito por meio de observação da manifestação da doença, ou seja, seus sintomas mais comuns. Não há como descobrir por meio de outros diagnósticos,  exame de sangue, raio “x”, tomografia, ou outros.

A esquizofrenia é subdividida em tipos, na qual cada uma possui características próprias: A esquizofrenia paranoide caracteriza-se pela presença de ideias delirantes relativamente estáveis, frequentemente de perseguição, em geral acompanhadas de alucinações e de perturbações das percepções. A Esquizofrenia hebefrênica caracteriza-se pela presença proeminente de uma perturbação dos afetos; as ideias delirantes e as alucinações são fugazes e fragmentárias, o comportamento é irresponsável e imprevisível. A Esquizofrenia Catatônica é caracterizada por distúrbios psicomotores proeminentes que podem alternar entre extremos tais como hipercinesia e estupor, ou entre a obediência automática e o negativismo. A Esquizofrenia Residual é caracterizada pela presença persistente de sintomas “negativos” embora não forçosamente irreversíveis. A Esquizofrenia simples caracteriza-se pela ocorrência insidiosa e progressiva de excentricidade de comportamento, incapacidade de responder às exigências da sociedade, e um declínio global do desempenho. Há ainda a esquizofrenia Indiferenciada, Depressão pós-esquizofrênica, outras e não especificadas

O tratamento da esquizofrenia visa ao controle dos sintomas e a reintegração do paciente. O tratamento da esquizofrenia requer duas abordagens: medicamentosa e psicossocial. O tratamento medicamentoso é feito com remédios chamados antipsicóticos ou neurolépticos. Eles são utilizados na fase aguda da doença para aliviar os sintomas psicóticos, e também nos períodos entre as crises, para prevenir novas recaídas. A maioria dos pacientes precisa utilizar a medicação ininterruptamente para não ter novas crises. Assim o paciente deve submeter-se a avaliações médicas periódicas; o médico procura manter a medicação na menor dose possível para evitar recaídas e evitar eventuais efeitos colaterais.

As abordagens psicossociais são necessárias para promover a reintegração do paciente à família e à sociedade. Os pacientes precisam, em geral de psicoterapia, terapia ocupacional, e outros procedimentos que visem ajudá-lo a lidar com mais facilidade com as dificuldades do dia a dia.

Os familiares são aliados importantíssimos no tratamento e na reintegração do paciente. É importante que estejam orientados quanto à doença esquizofrenia para que possam compreender os sintomas e as atitudes do paciente, evitando interpretações errôneas. Esse processo de descoberta de sentido na esquizofrenia torna-se um processo extremamente difícil e doloroso, para a família, principalmente, pois a convivência com o transtorno é acompanhada de intenso sofrimento e limitações.

As atitudes inadequadas dos familiares podem muitas vezes colaborar para a piora clínica do mesmo. O impacto inicial da notícia de que alguém da família tem esquizofrenia é bastante doloroso. Como a esquizofrenia é uma doença pouco conhecida e sujeita a muita desinformação as pessoas se sentem perplexas e confusas. Freqüentemente, diante das atitudes excêntricas dos pacientes, os familiares reagem também com atitudes inadequadas, perpetuando um circulo vicioso difícil de ser rompido. Atitudes hostis, críticas e excesso de proteção prejudicam o paciente, apoio e compreensão são necessários para que ele possa ter uma vida independente e conviva satisfatoriamente com a doença.

 

#AlessanderCapalbo

 

REFERÊNCIAS

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/esquizofrenia-atinge-25-mi-de-brasileiros-e-e-controlada-com-remedio,6cb40f8b5aae3410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html – acesso em 30/05/2018

http://www.scielo.br/pdf/reben/v65n2/v65n2a17.pdf – acesso em 30/05/2018

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