DEPRESSÃO OU TRANSTORNO DEPRESSIVO

O ser humano é dotado de emoções e sentimentos, e um dos sentimentos mais temidos e dolorosos é a tristeza. Em algum momento da vida é possível sentir-se alegre, em outros sentir-se triste. No entanto, o que não deve ocorrer é uma tristeza permanente, pois a tristeza se manifesta em alguns momentos, assim, como a felicidade, também é motivada por questões externas, ou momentos. Momentos de perda de algum ente querido, desemprego, mudança de estado ou país. No entanto, esta tristeza é passageira, e superada com o tempo ou nova adaptação. Quando a tristeza passa a persistir e ocasionar problemas físicos e emocionais, a classificamos como DEPRESSÃO.

A depressão é uma alteração afetiva, classificada como transtorno de humor, como vem sendo tratada como o “mal do século”, tem sido muito estudada. Ela vem reger as atitudes dos sujeitos modificando a percepção de si mesmos, passando a ver suas problemáticas como grandes tragédias.  A depressão tem características que podem traduzir uma doença grave ou ser apenas mais um sintoma do sujeito diante de uma situação real de vida, ou seja, suas características podem determinar uma melancolia em si ou ser apenas um sintoma constituinte de outra patologia. A percepção da realidade hoje tem por base as primeiras relações objetais, as quais funcionam como protótipo, ou modelo para todas as relações posteriores.

Freud, em 1917, publica “Luto e Melancolia” conceituando a melancolia como forma patológica do luto. No mesmo século XX, a depressão é classificada como transtorno afetivo levando em conta seus aspectos neuroquímicos, psicossociais e genéticos (Stone, 1999). Karl Abraham foi um dos estudiosos que publicou diversos artigos sobre a então chamada psicose maníaco-depressiva, seus primeiros trabalhos marcaram o início da escola kleiniana acentuando “a problemática da perda do objeto e da posição depressiva inscrita no âmago da realidade psíquica” (Roudinesco, 1997, p. 507). No final do século XX, a depressão passa a ser considerada como forma atenuada da melancolia a qual domina a subjetividade contemporânea (Roudinesco, 2000).

A depressão é uma doença bastante comum. A cada ano, uma em cada vinte pessoas apresenta depressão. As chances de alguém ter uma depressão ao longo da vida são de cerca de 15%. Ela se manifesta mais freqüentemente no adulto, no entanto, atualmente, tem-se percebido muitos casos em crianças e adolescentes, o que tem intrigado pesquisadores e estudiosos.

É muito importante que as pessoas saibam perceber a depressão para poder procurar ajuda especializada e tratamento. A pessoa sente uma tristeza intensa, que não consegue vencer. Ela pode achar que isso é uma “fraqueza de caráter” e tem vergonha de pedir ajuda, ou então não sabe que se trata de uma doença como outra qualquer, passível de tratamento com grandes chances de sucesso. Nessa situação é muito importante que os familiares ou amigos próximos tomem a decisão de levá-la ao médico, seja o clínico ou médico da família, seja o psiquiatra. Este fará uma avaliação minuciosa do quadro, orientando na realização de eventuais exames laboratoriais, bem como no tratamento.

O ego do depressivo é desprovido de valor, repreende-se esperando ser expulso e punido (Gabbard, 1998). Seu superego é sádico, atacando o ego e promovendo o sentimento de culpa, já que o trata da mesma maneira que gostaria que tratasse o objeto perdido (Garma, 1984). Este modo de relação objetal do depressivo, narcísico, com superego severo revela as demandas deste sujeito. Um sujeito que quer, que necessita, que exige gratificações pelas constantes frustrações que sofre. As experiências recorrentes de frustração, segundo M. Klein (1952), são estímulos poderosos para impulsos destrutivos.

Os principais sintomas da depressão são: tristeza profunda e duradoura (em geral mais que duas semanas), perda do interesse ou prazer em atividades que antes eram apreciadas, sensação de vazio, falta de energia, apatia, desânimo, falta de vontade para realizar tarefas, perda da esperança, pensamentos negativos, pessimistas, de culpa ou auto-desvalorização. Além desses, a pessoa pode ter dificuldade para concentrar-se, não dorme bem, tem perda do apetite, ansiedade e queixas físicas vagas (desconforto gástrico, dor de cabeça, entre outras). Em casos mais graves podem ocorrer ideias de morte e suicídio, havendo até pessoas que tentam ou cometem o suicídio. A frustração é que dá origem a esses maus sentimentos, onde se perde o sentido da existência. Com a internalização do objeto que frustra, o mesmo passa a ser um objeto persecutório, não podendo livrar-se dele. Desta forma, o sujeito tenta aniquilá-lo, controlando-o de forma onipotente através da autodestruição como se punisse o objeto persecutório internalizado (Garma, 1984).

A causa da depressão não é conhecida. Sabe-se que vários fatores biológicos e psicológicos podem contribuir para seu aparecimento. Em algumas pessoas a hereditariedade tem um peso importante, outros parentes também apresentam depressão. Com muita freqüência a depressão começa após alguma situação de estresse ou conflito e depois persiste, mesmo após a superação da dificuldade. As pesquisas mostram que na depressão há um desequilíbrio químico no cérebro, com alterações de neurotransmissores (substâncias que fazem a comunicação entre as células nervosas) principalmente da noradrenalina e da serotonina. A descoberta destas alterações permitiu o desenvolvimento de medicamentos específicos para o tratamento da depressão: os medicamentos antidepressivos.

O tratamento da depressão se faz atualmente com a combinação do medicamento antidepressivo com a psicoterapia. Esses medicamentos permitem uma recuperação gradual da depressão (em geral em algumas semanas) além de proteger a pessoa de novas crises depressivas. Por isto muitas pessoas precisam tomá-los por longos períodos de tempo, as vezes por toda a vida. Como os medicamentos demoram algum tempo para agir, é importante não desanimar; nesse período o apoio e a compreensão dos familiares são fundamentais.

A combinação de medicamentos antidepressivos com a psicoterapia é a melhor combinação de tratamento, alguns especialistas, indicam também, tomar sol e exercícios físicos ao ar livre. A medicação permite uma recuperação gradual, além de impedir que a pessoa passe por outro momento de crise. Não há previsão de tempo no que diz respeito à medicação, pois vai de pessoa para pessoa. O importante é ter paciência, pois nem sempre um tipo de medicamento pode dar certo logo de início, e pode ser que tenha de se trocar o medicamento e testar dosagens, e paciência e disciplina é tudo neste tratamento.

A abordagem psicoterápica concomitante ao uso de medicamentos permite que o tratamento de depressão seja mais efetivo. A razão para a utilização das duas formas de tratamento está na sua complementaridade A depressão, qualquer que seja sua origem, acarreta na pessoa deprimida uma serie de alterações em suas relações com as pessoas que a cercam, em suas atividades e fundamentalmente, na forma de expressão afetiva que possui. A dinâmica de suas emoções encontra-se prejudicada. É nesses aspectos que a psicoterapia pode auxiliá-lo. Leva a pessoa a reflexões sobre seu funcionamento dinâmico de suas emoções, possibilitando assim a reconstituição de seu modo de ser, que se encontra circunstancialmente alterado

 

#AlessanderCapalbo

 

 

REFERÊNCIAS

http://pepsic.bvsalud.org/pdf/aletheia/n24/n24a12.pdf – ACESSO EM 29/5/2018

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