Complexo de Édipo

Nestes dias escutei muito esta afirmação: “Quando o amor aparece a mulher encontra o que ela tanto procurava”, com a realização do casamento do Príncipe Harry e da Meghan Markle, muitas afirmações que a futura princesa abandonaria a sua defesa ao feminismo, pois tinha encontrado o príncipe encantado na sua vida. Será que teria encontrado o que tanto ela procurava?
Será que realmente isto aconteceu ou acontecerá com a nova princesa?
O que de fato uma mulher busca na vida? Um dos personagens da história que tentou esclarecer esse mistério discutindo sobre alguns temas sobre questões femininas.
Poderia, afirma, que ao longo da minha jornada como sacerdote, acompanhando várias pessoas (mulheres) pude notar que a mulher passa a vida tentando se identificar, se descobrir, encontrar o seu espaço. Essa busca bem afirmou Freud, começa cedo, quando ainda menina tenta encontrar respostas naquela que é a primeira mulher da sua vida (sua própria mãe).
Desde cedo mãe e filha já se apresenta de forma complexa, cheia de cobranças, raivas, de culpa, de identificação, de competitividade, enfim, resumindo seria: uma eterna relação de buscas e respostas.
O tema da feminilidade não é simples. Embora Freud tenha dedicado um espaço em sua obra para discutir este tema, fala do assunto como obscuro e de difícil acesso.
Falando sobre a sexualidade, Freud afirma que ambos os sexos e sua representação infantil, toda criança é sempre menino para a mãe (independente do sexo anatômico), por constituir o substituto fálico para ela.
A partir do complexo de Édipo ele tenta esclarecer como ocorre a descoberta da sexualidade entre ambos os sexos.

Mas o que é o Complexo de Édipo?

Afirma Mário de Almeida “O termo “Complexo de Édipo” deriva de uma tragédia grega escrita por Sófocles, na qual o herói, Édipo, sem saber de sua condição de filho, mata o pai e se casa com a mãe. A criança, por volta dos três anos, na fase fálica, começa a sofrer profundas transformações. Começa a perceber as diferenças, anatômica entre os sexos e a demonstrar interesse pelo conhecimento corporal. Começa a localizar o prazer em seus órgãos genitais e a manipulá-los. É quando a criança sente a necessidade de buscar o prazer em um elemento do sexo oposto”.
Como o menino, a menina tem como objeto primeiro, como já vimos a mãe, e só depois passa a fixar-se no pai.
Os passos evolutivos do Complexo de Édipo, na menina seriam os seguintes:
– ao descobrir a falta de um pênis, o que a menina vive como um castigo;
– a menina pode resignar-se, com a esperança de recuperação (foi castrada); ou comportar-se como um menino (transformando numa menina ativa – aqui poderia citar o feminismo)
– a falta de pênis que provoca na menina uma reação de ódio pela mãe, pelo fato de considerar que a mesma a privou do pênis. Vale ressaltar que inveja não é desejo, e que para que uma menina venha a desejar um pênis, é necessário primeiro se tornar mulher, isso é, resolver o Édipo após sexualizar e dessexualizar o seu pai.
Assim como no menino o aumento do amor heterossexual incrementa a ambivalência em fase do pai, até convertê-la em animosidade e considerar seu pai um rival. Na menina desperta uma certa ambivalência em relação a sua mãe; a menina vence este sentimento por meio da identificação com a mãe, sendo assim reforça consideravelmente sua feminilidade.
Para explicar, Lacan situa a mãe como a primeira castradora da filha, pois não consegue fornecer para a sua filha um símbolo de sua identificação feminina (exatamente porque este símbolo não existe). Por isto que a filha busca na figura do pai respostas que a mãe não conseguiu lhe dar.
Agora entra em cena a figura do pai, o grande detentor do falo. É quando a menininha magoada e sempre ciumenta se volta para ele para lhe reivindicar seu poder e sua potência. Quer ser tão forte quanto o pai e ter de volta aquilo que perdeu.

É então que o pai lhe fala: “Não, nunca lhe darei o falo, pois ele pertence à sua mãe!”. Claro que nenhum pai diz isso à filha; esse pai é um pai caricatural, fantasiado. Se um pai tivesse que dizer algo de verdade a um pedido desses, ele diria apenas o seguinte: “Não posso lhe dar o falo, simplesmente porque esse falo não existe! O falo que você me pede é um sonho, uma quimera de criança!”.
Para Freud uma solução para as meninas, seria aceitam que sua demanda de um símbolo para sua identidade não pode ser atendida, e daí passar a aceitar e lidar com a falta, como o caminho de encontrar a sua feminilidade. (Porém para que isto de fato aconteça, Freud afirmava seria que a mãe antes teria que ter aceitado a sua própria falta e a consiga transmitir esta experiência para a sua filha.

 

#AlessanderCapalbo

 

 

Bibliografia:

 http://www.apsicanalise.com/index.php/blog-psicanalise/48-artigos/391-complexo-de-edipo-ontem-e-hoje
 http://glauberataide.blogspot.com/2007/11/o-complexo-de-dipo-o-texto-que-se-segue.html
 Curso Básico de Psicanálise – A. Tallaferro Ed. Martins Fontes

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