A interpretação dos sonhos

Falar de significação ou interpretação de sonhos antes de Freud, é falar de interpretação simbólica e decifração. Decifração seria um tipo de interpretação encontrado nos chamados dicionários dos sonhos. Citamos por exemplo quando uma pessoa sonha com um jacaré, pode significar que deve-se ter cuidado com pessoas falsas. No entanto interpretar sonhos desta forma pode ser uma arbitrariedade, pois não há uma lógica que possa ser defendida por trás dos significados de cada elemento. Por que jacaré não pode significar um contato com o divino e o sagrado (como em algumas culturas)? Por que cadáver não pode significar o medo da morte ou uma doença?

A interpretação simbólica pode ser encontrada em sonhos, digamos, mais proféticos, que indicam um desenrolar dos eventos futuros. O exemplo mais fácil e mais conhecido é a interpretação de José do sonho do faraó, descrito no Gênesis. O faraó sonha o seguinte Gênesis 41:17-24:

“Eis que em meu sonho estava eu em pé na margem do rio, E eis que subiam do rio sete vacas gordas de carne e formosas à vista, e pastavam no prado. E eis que outras sete vacas subiam após estas, muito feias à vista e magras de carne; não tenho visto outras tais, quanto à fealdade, em toda a terra do Egito. E as vacas magras e feias comiam as primeiras sete vacas gordas; E entravam em suas entranhas, mas não se conhecia que houvessem entrado; porque o seu parecer era feio como no princípio. Então acordei. Depois vi em meu sonho, e eis que de um mesmo pé subiam sete espigas cheias e boas; E eis que sete espigas secas, miúdas e queimadas do vento oriental, brotavam após elas. E as sete espigas miúdas devoravam as sete espigas boas. E eu contei isso aos magos, mas ninguém houve que mo interpretasse”.

José então, como sabemos, interpreta as sete vagas gordas como símbolo da fartura dos próximos sete anos e as sete vagas magras como símbolo da fome que adviria logo em seguida.Este tipo de interpretação dos sonhos, a interpretação simbólica, sempre foi muito admirada e louvada. No entanto, o sujeito especialmente capaz , intuitivo, místico e espiritual, seria o detentor de tal “poder”..

 

A interpretação dos sonhos de Freud

 

A teoria dos sonhos proposta por Sigmund Freud em 1900 desperta um interesse enorme sobre esse mundo tão incompreensível, rico e cheio de sentimentos, que dá margem a muitas abordagens. O que antes, era interpretado como símbolos ou premonições agora é visto como particularidades de nosso inconsciente. Destaca-se ainda a importância dos sonhos na vida de qualquer indivíduo, assim como a influência que exerce sobre os mesmos, sua análise em terapia auxiliando o terapeuta durante o tratamento (SILVA & SANCHES, 2011).

Freud é o primeiro a considerar um elemento a mais para analisar nossa vida além do consciente “O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente”. Para Freud, o sonho é um exemplo privilegiado de um processo primário, pois é acompanhado de uma diminuição das necessidades físicas e por um desligamento daquilo que possa vir a ser externo. Portanto, a precondição essencial ao sono é o sonho, que é o pórtico real da psicanálise, pois através dele podemos compreender os sintomas, os mitos, as religiões e a obra de arte como expressão do nosso desejo mais íntimo. Além do conteúdo manifesto do sonho – o que contamos sobre o que acabamos de sonhar – Freud também leva em conta as associações do próprio sonhador. Temos, portanto, dois elementos agora:

1) o conteúdo manifesto – o que o sonhador conta, a narrativa do sonho tal qual o sonho é lembrado ao acordar ou nos dias seguintes;

2) o conteúdo latente – que é o significado do sonho, depois de analisado.

Para chegar ao conteúdo latente, o analista parte das associações individuais do sonhador de cada parte do que sonhou. Freud ainda escreve:

 “Nosso primeiro passo no emprego desse método nos ensina que o que devemos tomar como objeto de nossa atenção não é o sonho como um todo, mas partes separadas de seu conteúdo. Quando digo ao paciente ainda novato: “Que é que lhe ocorre em relação a esse sonho?”, seu horizonte mental costuma transformar-se num vazio. No entanto, se colocar diante dele o sonho fracionado, ele me dará uma série de associações para cada fração, que poderiam ser descritas como os “pensamentos de fundo” dessa parte específica do sonho”.

Assim, cada elemento do sonho deve ser separado dos demais e para cada elemento devemos buscar as associações individuais para os elementos, para as partes do sonho. Por isso, o que contamos ao acordar, o conteúdo manifesto, praticamente nunca vai trazer logo de início o significado subjacente do sonho. Existem sim sonhos que são claros e até fáceis de entender, mas a maior parte vai precisar das associações individuais para que se possa descobrir o significado real, por trás do conteúdo manifesto. Por exemplo, Freud relata um sonho de uma paciente. No sonho, ela via o seu sobrinho morto, em um caixão. A princípio, não podemos dizer nada sobre o significado do sonho, sem as associações da sonhadora.

Deste modo, Freud começa a pedir para que ela associasse, dissesse o que cada elemento do sonho a fazia lembrar e pensar. E logo chegaram ao sentido do sonho: realmente, há pouco tempo, um outro sobrinho seu havia falecido e naquela ocasião uma pessoa por quem ela era apaixonada apareceu no enterro.  Com isto, o que o sonho mostrava é que ela desejava ver novamente a pessoa por quem ela era apaixonada e que, por motivos alheios à sua vontade, não conseguira estabelecer um relacionamento amoroso. Portanto, entre o conteúdo manifesto e o conteúdo latente nós temos as associações: Conteúdo manifesto: sobrinho morto em um caixão. Associações: Sobrinho: sobrinho morto (há pouco tempo). No enterro do sobrinho: presença do homem por quem era apaixonada. Conteúdo latente: desejo de reencontrar o homem por quem era apaixonada.

Importante: na perspectiva da psicanálise de Freud, portanto, a interpretação é sempre individual. Cada pessoa é que vai associar aos elementos do que sonhou outras representações.

Esta paciente do Freud sonhou com caixão e pode associar a presença de um pretendente. Outra pessoa poderia sonhar com caixão e lembrar-se do avô, outra pessoa poderia sonhar com caixão e se lembrar do tempo em que trabalhou em uma funerária, quer dizer, a associação de cada elemento de um sonho vai ser sempre de cada um, vai ser sempre individual.

Todo material que compõe o conteúdo de um sonho é derivado, de algum modo, da experiência, ou seja, foi reproduzido ou lembrado no sonho.

 

Alessander Carregari Capalbo

 

REFERÊNCIAS

 

Fonte: https://psicologado.com/abordagens/psicanalise/os-sonhos-na-concepcao-de-freud © Psicologado.com

http://facos.edu.br/publicacoes/revistas/ensiqlopedia/outubro_2012/pdf/o_sonho_e_a_psicanalise_freudiana.pdf

Um comentário em “A interpretação dos sonhos

  • Maio 5, 2018 em 2:41 pm
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    Estou a procura de um trabalho como recepção auxiliar de produção auxiliar operacional vendas telemarketing….mercado qualquer coisa .me ajudem

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