Santa Teresa de Calcutá e os pobres pecadores “impuros”

Hoje tirei o dia para ler o livro: “O Milagre de Teresa” do autor João Carlos Almeida. Passei o dia todo e consegui ler toda a obra, pelo simples fato ou pela curiosidade que encontrei no relato apresentado no livro: Que o Dr. João Luis Cabral, o médico que atendeu o caso (o paciente) que foi curado por Madre Teresa de Calcutá, é filho de um ex-padre (Padre) e que  que Dr. João não professa a fé católica.

Gostei muito da resposta que ele dá ao notário que veio do Vaticano, para questioná-lo sobre o que ele acreditava que tinha acontecido com a realização da cura do paciente. Sua resposta frente uma das perguntas que lhe foi feito, o mesmo foi simples e curto: “O senhor tem alguma dificuldade em jurar com a mão na Bíblia? E ele respondeu: Tenho. Não é a minha crença, eu pertenço à Wicca”.

Wicca (é uma religião pagã que se dedica ao conhecimento da espiritualidade a partir da natureza e da psique humana) as pessoas costumam conhecer como “bruxaria”, mas lógico que é do bem. Continuou respondendo o médico ao enviado do Vaticano: “Estou feliz de ter uma pequena participação nesse episódio, é uma forma de retribuir o maior presente que recebi ao longo de toda a minha existência”. Que presente perguntou o enviado papa? Respondeu: “O dom da vida que recebi de meu pai, que como já lhe disse foi padre (ex-padre). Minha participação neste “milagre” foi uma maneira de declarar o meu amor e dizer ao meu pai: Muito obrigado pela sua atitude”.

Quando li este pequeno trecho, confesso que os meus olhos encheram de lágrimas, pois estamos falando de um filho de um padre, que não professa mais a fé católica, e que mesmo sendo “impuro” Deus agiu por meio dele.

Lembro-me quando estava deixando o ministério, ou estava em dúvida do que faria com a minha vida, tive de escutar um sacerdote me dizer que se algum dia eu tivesse um (a) filho (a) eu iria escutar, quando o mesmo crescesse, que ele me odiava por eu ter deixado a batina e ter sido infiel à Igreja. Fiquei naquele momento anestesiado com tal afirmação, pois até aquele dia nunca tinha pregado um Deus vingativo e nunca tinha acreditado num determinismo, onde o homem é um robô frente ao criador.

Mistério… Uma mulher que tem sido uma das maiores testemunhas da misericórdia e do amor de Deus no nosso tempo usou o filho de um ex-padre, que faz parte de uma “seita” para manifestar a glória de Deus.

Por isto que Santa Teresa de Calcutá faz uma afirmação que para muitos é muito difícil de entender, principalmente para aqueles que vivem numa instituição fechada, cheia de regras e normas e acima de tudo, acredita que Deus vive numa caixinha… Onde todos devemos entrar nestes conceitos e normas que são como cargas na vida das pessoas.

“Não tenho certeza de como será o céu, mas acho que quando morrermos e quando chegar o momento de sermos julgados, Deus não vai perguntar quantas coisas boas fizemos, mas apenas com quanto amor fizemos”. Quando percebo que hoje a preocupação é com a aparência, em fazer tantas coisas, de fazer tantas atividades, e esquecemos o fundamental.

Se existi o céu eu não sei, mais quando chegarmos ao julgamento final Deus não virá nos perguntar se fizemos muitas coisas, se cumprimos todas as leis da Igreja, se fui padre ou deixei o ministério, se fiz tudo certinho ou fui um “impuro”… Mas a pergunta fundamental será: Amou? Amar em todas as situações, nas pequenas coisas, nos pequenos detalhes, na simplicidade e nas imperfeições que somos.

Por isto eu não tenho medo de dizer que estou escandalizado com algumas situações com que eu sou tratado. Resolvi por um ponto final nesta história de fachada e ir a busca de Deus por meio das pessoas que ele coloca na minha vida.

Seremos julgados no amor, por isto não vale a pena defender uma realidade que não passa de aparências. O amor se manifesta em fatos.

Lutar para fazer o bem, e continuar com o mesmo espírito, em querer e poder ajudar a todos que passaram na minha vida, dentro da minha pequenez, pecados e acima de tudo com a verdade que sou eu quem carrega.

Que Santa Teresa de Calcutá interceda pelos pecadores, em especial por mim, o primeiro de todos.

 

Alessander Capalbo
Licenciado em Filosofia
Graduado em Teologia
Graduando em Psicologia

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