Iniciamos a Grande Semana

Durante quarenta dias nos preparamos para o grande acontecimento que vamos celebrar, que é o mistério pascal (paixão, morte e ressurreição).
Antes de mais nada temos que perceber que neste tempo não só celebrar o que aconteceu com Cristo há mais de 2000 anos, mas somos convidados a experimentar a eficácia deste mistério na nossa vida.
São Paulo pede na Carta aos Coríntios: “Purifiquem-se do velho fermento para serem uma massa nova, já que vocês são ázimos. Pois Cristo, nossa Páscoa, foi imolado. Celebremos a festa não com o fermento velho nem com o fermento da malícia e da perversidade, mas com ázimos de pureza e de verdade” (1 Cor 5, 7-8).
A comunidade primitiva celebrava o mistério pascal nos dias da festa da Páscoa judaica (que era a passagem da escravidão do Egito à liberdade na terra prometida).
Todos nós somos chamados a participar da vida nova em Cristo ressuscitado, morrendo para o pecado e vivendo como comunidade de ressuscitados.
Esta é a nossa missão: testemunhar que o mistério pascal se realiza na nossa vida. Mas de que forma?
Todos nós experimentamos o peso do pecado, as tentações que todos os dias enfrentamos para sair da vontade de Deus e, muitas vezes, nós caímos. O demônio é muito astuto e nos convence de que o pecado é uma coisa boa.
O mistério pascal consiste numa decisão firme de abandonar a nossa vida, os enganos nos quais caímos e as ilusões que a nada nos levam.
Páscoa significa passagem das trevas à luz, porém para fazer esse caminho é necessário reconhecer as trevas em que vivemos. Meditamos, neste tempo, sobre a dificuldade de aceitar a nossa cruz e de aceitar os sofrimentos. A semana santa é centrada na proposta que nos é feita pelo Senhor de nos tirar da escravidão do pecado, das trevas da morte interior que não nos deixam ser verdadeiramente felizes. Deus quer levar-nos à liberdade que é, sem dúvida nenhuma, a realização plena da nossa vida.
Esta semana deve ser vivida em clima de oração, numa caminhada fraterna de toda a comunidade paroquial, pois Deus manifesta-se a um povo concreto que é cada um de nós.
Não podemos viver este período como um simples jogo de representação teatral, mas cada celebração deve ser atualizada, vivida pessoalmente.
Nunca poderemos nos esquecer que o Senhor não fica indiferente à nossa situação. Por isso, é importante situar o nosso cotidiano no contexto que nos é proposto. A nossa vida vai se transformando à medida em que a Palavra nos interpela a vislumbrar que a nossa vida ressuscita e, além disso, somos também convidados a carregar as nossas cruzes, a aceitar as humilhações, as dificuldades, para assim nos configurarmos Àquele que é o autor da vida.

 

#AlessanderCapalbo
Graduado em Teologia

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