1ª. Meditação Quaresmal – 2018 : Julgar te faz deus

O julgamento destrói a Igreja e a comunidade cristã

Despois de ter lido o livro do Papa Francisco: “Quem sou eu para Julgar” da editora Leya, decidi fazer as minhas meditações quaresmais todas voltadas sobre o “julgamento” que destrói a sociedade e principalmente destrói a comunidade cristã, criando um ambiente que Jesus Cristo por diversas vezes vai condenar chamando os julgadores de hipócritas e sepulcros caiados.

O mal que o julgamento faz, seja ele qual for: religioso, cotidiano, moralistas… quem julga sempre se coloca numa atitude superior ao outro, melhor que o outro, “ou até ser mais santo” como a parábola do fariseu e do publicano.

Um dia eu escutei uma música que me veio na memória estes dias que dizia assim: “Na arte de subir, a vitória não está em não cair, mas em não permanecer se lamentando por ter caído, ou porque a história ou a sua vida virou do avesso”. Todos nós caímos, todos erramos… mas a vitória não é julgar o outro, nem tão pouco passar por cima do outro, mas a vitória, a atitude cristã se dá em ajudar o outro a levantar e não julgá-lo.

Como é difícil esta atitude, pois é muito mais fácil jogar pedra e apontar o dedo, e acusar ou até mesmo dizer que a queda foi uma falta de fé…

Julgar os outros nos leva à hipocrisia. E Jesus define exatamente como “hipócritas” aqueles que se dedicam a julgar. Porque a pessoa que julga erra, confunde-se e torna-se derrotada.

Quem julga erra sempre. E erra porque toma o lugar de Deus, que é o único juiz, e seu julgamento é de amor e misericórdia. Na prática, acredita ter o poder de julgar tudo: as pessoas, a vida, tudo. E com a capacidade de julgar considera ter também a capacidade de condenar.

Aquele que julga se torna um grande derrotado e só pode terminar mal, porque a mesma medida será usada para julgá-lo, como nos diz nos evangelhos.

Além do mais, quem julga sempre acusa. No julgamento contra os outros há sempre uma acusação. Exatamente o oposto daquilo que Jesus faz diante do Pai. De fato, Jesus nunca acusa, mas ao contrário, ama e principalmente defende.

Como é difícil não julgar, mas tomar a atitude que Cristo faz diante de todos nós, nos ajuda a levantar e até viver no avesso da nossa vida. Para terminar esta meditação gostaria de ilustrar esta atitude de Cristo com uma passagem da Escritura que mostra de fato quem é e como Jesus age diante de cada pecador.

 

Para Meditar:  Mt 15,1-20

 

“Alguns fariseus e escribas de Jerusalém vieram um dia ter com Jesus e lhe disseram: Por que transgridem teus discípulos a tradição dos antigos? Nem mesmo lavam as mãos antes de comer. Jesus respondeu-lhes: E vós, por que violais os preceitos de Deus, por causa de vossa tradição? Deus disse: Honra teu pai e tua mãe; aquele que amaldiçoar seu pai ou sua mãe será castigado de morte (Ex 20,12; 21,17). Mas vós dizeis: Aquele que disser a seu pai ou a sua mãe: aquilo com que eu vos poderia assistir, já ofereci a Deus, esse já não é obrigado a socorrer de outro modo a seus pais. Assim, por causa de vossa tradição, anulais a palavra de Deus. Hipócritas! É bem de vós que fala o profeta Isaías: Este povo somente me honra com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim. Vão é o culto que me prestam, porque ensinam preceitos que só vêm dos homens (Is 29,13). Depois, reuniu os assistentes e disse-lhes: Ouvi e compreendei. Não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas aquilo que sai dele. Eis o que mancha o homem. Então se aproximaram dele seus discípulos e disseram-lhe: Sabes que os fariseus se escandalizaram com as palavras que ouviram? Jesus respondeu: Toda planta que meu Pai Celeste não plantou será arrancada pela raiz. Deixai-os. São cegos e guias de cegos. Ora, se um cego conduz a outro, tombarão ambos na mesma vala. Tomando então a palavra, Pedro disse: Explica-nos esta parábola. Jesus respondeu: Sois também vós de tão pouca compreensão? Não compreendeis que tudo o que entra pela boca vai ao ventre e depois é lançado num lugar secreto? Ao contrário, aquilo que sai da boca provém do coração, e é isso o que mancha o homem. Porque é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias. Eis o que mancha o homem. Comer, porém, sem ter lavado as mãos, isso não mancha o homem.”

 

 

Alessander Carregari Capalbo

 

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